É a primeira grande sondagem sobre as presidenciais angolanas do próximo mês e revela que 23%, praticamente um em cada quatro angolanos, não sabem ainda em quem vão votar nas eleições de 23 de Agosto. Com a projeção das intenções de voto em estimativa de resultados, João Lourenço, o candidato do MPLA para suceder a José Eduardo dos Santos, ganha confortavelmente: 36% nas intenções diretas de voto, mais de 60% na projeção de resultados, com distribuição dos indecisos: 61%.

João Lourenço vai vencer. E saberá o MPLA ler os resultados?

A capacidade de mobilização de massas por parte do maior partido angolano continua a ser uma evidência, independentemente dos sucessos e fracassos da governação de José Eduardo dos Santos e círculo próximo.

De acordo com a sondagem, feita pelo Instituto Jean Piaget de Benguela, Instituto Sol Nascente do Huambo, com apoio técnico do Centro de Estudos de Sondagens e Opinião da Universidade Católica Portuguesa, o partido CASA confirma a trajectória ascendente na sociedade angolana, ultrapassa a UNITA e fica em segundo lugar, ainda que a diferença entre os dois se situe dentro da margem de erro.

Abel Chivukuvuku, candidato presidencial do CASA, consegue 19% dos votos, contra 15% de Isaias Samakuva, o líder da UNITA. Os restantes candidatos, Benedito Daniel, Lucas Benghim e Quintino António Moreira, não ultrapassam os dois por cento nas intenções de voto.

Quando as intenções de voto são analisadas de acordo com outras variáveis, os resultados indicam que João Lourenço é mais votado por mulheres 39% do que por homens, 33%. Chivukuvuku e Samakuva reúnem mais preferências junto do eleitorado masculino.

O melhor resultado para o MPLA é obtido na faixa etária entre os 55-64 anos de idade, com 47% das intenções de voto.

O melhor para o CASA está entre os jovens (18-24 anos), com 18% dos votos; a UNITA consegue a sua melhor performance (13%) entre aqueles que têm entre 35-44 anos de idade.

Os que têm ensino secundário completo são aqueles que votam menos em João Lourenço (31%), sendo que os que mais votam no candidato do MPLA são os que não concluíram sequer a escola primária. O mais que provável sucessor do atual presidente reúne 43% das intenções de voto entre aqueles que não têm qualquer escolaridade formal.

Por outro lado, Abel Chivukuvuku tem os seus melhores resultados entre os universitários, 19% entre os que frequentam o ensino superior e apenas menos um ponto percentual de intenção de voto entre aqueles que já concluíram a licenciatura. Não chega para um partido que quer ser alternativa em Angola, mas não deixa de augurar boas perspectivas.

De acordo com a sondagem feita entre os dias 1 e 8 de julho, com 5724 inquiridos nas sete provincias com mais eleitores recenseados e em Cabinda,na distribuição dos deputados na próxima Assembleia Nacional, o MPLA deve conseguir entre 137 e 160 deputados, o CASA entre 29 e 47 e a UNITA entre 21 e 34 mandatos. O histórico FNLA de Holden Roberto deve ter entre 1 e 3 deputados no próximo parlamento em Angola.

Para além da necessidade imperiosa de diversificação da economia, do aumento incontornável da liberdade de expressão, do encarar a juventude mais contestatária como atores sociais legítimos e - diria - cruciais, da garantia de infraestruturas e direitos fundamentais à generalidade da população (como água potável), além (ou por causa) de tudo isto, saberá o MPLA ler devidamente estes resultados, particularmente a distribuição dos votos em termos etários e segundo as qualificações escolares? Da resposta a esta questão, sairá, penso, o futuro de Angola e o modelo de desenvolvimento do país, independentemente do "pai Zédú" estar no poder ou não.

 

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