Os reclusos da Comarca Central de Luanda manifestaram-se ontem contra a má condição dos alimentação que têm estado a consumir.

Os protestos terão causado pelo menos 20 feridos, vitimas de agressões de guardas prisionais e da Polícia de Intervenção Rápida, que, numa tentativa de dispersar o protesto, terá alegadamente disparado gás lacrimogéneo contra os presos.

De acordo com o testemunho de um preso à Rádio Despertar, é hábito a cadeia fornecer comida imprópria para consumo, com os reclusos a queixarem-se também da falta de assistência médica.

Os presos alegam que tentaram dialogar com o director da Comarca Central de Luanda, mas o responsável limitou-se a ignorar as preocupações dos reclusos.

‘’Estamos a fazer uma manifestação pacífica desde ontem, de não ir ao refeitório comer por causa da alimentação, que tem nos trazido muitos problemas de saúde, e por não termos direito assistência médica’’, disse em anonimato um prisioneiro à Rádio Despertar.

 O Porta-voz dos Serviços Prisionais disse ao Rede Angola, Menezes Cassoma, considerou a reclamação como um falso problema. Segundo Cassoma, para além dos cozinheiros profissionais que funcionam nas prisões, os próprios reclusos também participam na confecção dos alimentos.

“Esta questão é um falso problema porque a maior parte destes reclusos faz parte da equipa do pessoal que confecciona os alimentos. A alimentação que consomem também é feita por eles, com o auxílio de cozinheiros profissionais contratados pelo Serviço Penitenciário”, diz Cassoma, garantindo que a instituição continua a trabalhar para assegurar melhores condições nas cadeias do país.

O porta-voz diz que a situação está sob controlo e desmente a informação de que o protesto terá causado feridos. “O que aconteceu é que depois da refeição, um grupo de recluso negou entrar para as respectiva celas. E foi daí que os agentes tomaram algumas medidas. O que podemos dizer é que a situação está controlada, ao contrário de algumas informações, garantimos que o houve nenhum ferido”.

O Rede Angola teve acesso a um vídeo onde um recluso denuncia o uso de granadas de gás lacrimogéneo e balas pelas autoridades da Comarca Central de Luanda.