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Flor de raiz não pode conter as lágrimas na sua recente entrevista. A Kudurista deu uma entrevista a Platinaline expressando o seu arrependimento de ter dito ao mundo que ela é virgem. A cantora disse que a sua vida não é a mesma desde a sua aparição na Zap News. Ela tem sofrido diariamente assédio sexual, foi vitima de tentativa estupro. Esses acontecimentos tem deixado a cantora e sua família abalada, a autora da música “Tigra” não se sente segura, ela tem restringido seus movimentos.

Mas o problema maior com as lagrimas da Flor de Raiz é a cultura de machismo misoginia que existe em Angola.

É lamentável que vivamos em uma sociedade onde a virgindade de uma mulher não é vista como um assunto privado e íntimo. Em um mundo onde a pureza em uma mulher é tão rara em vez de apreciada é ridicularizada. Se nada mais a força de vontade que leva para permanecer pura, para resistir a pressão das amigas e da sociedde para se manter intacta deve ser comemorado. As declarações da mana Flor provocaram algo diferente, provocou algo mais insidioso, provocou violência, provocou misoginia. Os ideais patriarcais em que a nossa sociedade é baseada deram origem a esta cultura que temos hoje. Uma cultura onde os homens pensam que podem convidar-se a o corpo da mulher e à intimidade dela apenas porque querem. Uma cultura onde homem acredita que a virgindade de uma mulher é apenas algo a ser conquistado, algo ser tomado como um objecto porque os meninos grandes ficaram com calundos. Outros são ainda mais sinistros, eles não querem necessariamente tirar a virgindade da mana Flor, querem apenas ter certeza se a raiz está intacta ou não. Porque se não tiver, eles podem se vangloriar e inflamar o seu ego e implacavelmente julgá-la sem olhar no espelho e enfrentam sua própria depravação.

Não importa se você acredite nela ou não, não importa que ela é uma artista e usar roupas reveladoras o que importa é que as escolhas delas não são um motivo para os kotas explorar, assediar, e fazer a “Tigra”  sentir-se insegura. O problema das lagrimas da Kudurista, não é que vida dela mudou, mas sim que a sociedade normalizou o tipo de comportamento que levaram as lagrimas