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FONTE: CLUB-K

 

 

 A Empresa Provincial de Águas de Luanda (EPAL) está a efectuar cobranças ilegais aos seus clientes no bairro Benfica, em Luanda, mesmo depois de ter deixado de lhes fornecer o precioso líquido.

Os clientes alegam, em sua defesa, que estão desde Janeiro deste ano sem água, mas os funcionários da empresa estatal dizem que nada podem fazer porque as facturas são processadas de forma automática. A EPAL não tem ainda implementado o sistema pré-pago, nem procede a leituras aos contadores. As cobranças têm sido feitas por estimativa, e estão à volta dos 4 mil/mês.

Apesar de vários protestos e reclamações, os consumidores têm sido quase que obrigados a pagar as facturas, sob ameaça de suspensão ou, mesmo, rupturas dos respectivos contratos. Há quem encare as cobranças «compulsivas» como uma forma da EPAL contornar os salários dos seus trabalhadores, depois de o Estado ter deixado há mais de um ano de subvencioná-los.

Em algumas ruas do bairro, a água tem corrido de quando em vez, noutras as torneiras há muito deixaram de jorrar o precioso líquido.

Para contornar a falta de água, os clientes dizem que não têm outra saída senão comprar o líquido aos camiões cisternas; um negócio, no qual estarão envolvidos alguns funcionários da própria EPAL, segundo denunciou um dos moradores do referido bairro.

«É curioso que nas ruas, onde são abastecidas as cisternas, a água quase nunca falha», diz a mesma fonte, ao mesmo tempo que reforça as suspeitas de envolvimentos de técnicos da EPAL nos «esquemas» das vendas deste produto.

Alguns consumidores lamentam a forma «arrogante e desrespeitosa» como têm sido tratados por alguns funcionários afectos às agências da empresa no Benfica, sobretudo a que fica localizada junto à esquadra da Polícia do Bem-vindo. «Os funcionários julgam-se donos do rio onde sai a água»