Por Marcos Serafim
 

Toda vez que sai há uma notícia sobre um evento científico incrível, como mandar um rover pra Marte, pousar uma sonda num cometa ou descobrir como o seu cunhado descobriu a senha do seu cartão de crédito, a massa iletrada corre praquelas plagas conhecidas como "redes sociais" e começam o desfile ridículo de imbecilidade do tipo "Com tanta criança em África passando fome, o gasta-se  dinheiro com isso". A resposta básica seria o artigo porquê gastar em exploração espacial com tanta gente passando fome?

mas a questão é um pouquinho mais densa, porque este tipo de ralé, além de idiota, é hipócrita, que FINGE se importar com as criancinhas em África, mas passam batido por qualquer "sem-abrigo" na rua, ou criança suja pedindo dinheiro ou vendendo bala. Curiosamente, elas deixam de ser altruístas, preferindo "as pobres criancinhas na África". Por quê?

Apesar de toda essa pseudo-preocupação, as entidades humanitárias recebem donativos cada vez menos. Com tanta gente se preocupando, não deveriam receber mais?

O dr. Paul Slovic do Departamento de Psicologia da Universidade de Oregon, estuda como pode tanta gente (fingindo) se importar, quando a realidade mostra que donativos e voluntários estão cada vez mais escassos. Assim, ele estabeleceu uns testes com algumas cobaias, digo, voluntários, separando-os em grupos.

Ele mostrou a um dos grupos uma moça faminta e, em seguida, procurou medir o quanto os voluntários estavam dispostos a fazer um donativo para ajudá-la. Já, para um segundo grupo, Slovic veio com a mesma situação, mas inseriu uma variante. Ele contou a mesma história da menina morrendo de fome, mas desta vez, também disse aos voluntários sobre os milhões de pessoas que também sofrem de fome.

O senso comum diria que o grau de empatia seria o mesmo, não importando se uma pessoa está com fome enquanto outras trocentas também estão em grau de extrema necessidade, ou não. Mas senso comum não passa de achismo, e o que conta são os resultados de pesquisas. As pessoas a quem foram mostradas as estatísticas, juntamente com as informações sobre a menina, deu cerca de metade do montante de dinheiro do que aqueles que apenas viu a menina, sem terem entrado em contato com os dados de fome no mundo.

Para Slovic, há um mecanismo simultâneo que leva em conta o estado emocional e racional (coração e cabeça). Uma história melodramática sobre uma vítima individual nos afeta emocionalmente, mas quando colocamos no prato da balança um milhão de pessoas, entra em ação o lado "cabeça", e perdemos o vínculo emocional.

Ainda assim, Slovic não estava muito convencido. Seria algo tão fácil assim? Tipo: vejo centenas de mendigos todos os dias, então não me importo com eles, enquanto a foto isolada de uma criancinha magricela, sob o olhar atento de um abutre, esperando pacientemente seu jantar, mexe mais conosco?

A pesquisa do dr. Slovic mostrou um lado bem mais perverso do ser humano: arrogância!

Continuando as entrevistas com os voluntários, Slovic percebeu que o que os fazia ajudar a menina unicamente não era altruísmo, e sim porque ajudar a menina iria agir no seus sistema de recompensa, isto é, iria fazê-los se sentir bem consigo mesmos, tendo certeza do quanto são especiais. Mas quando você mistura nas estatísticas, os voluntários podem pensar que há tantos milhões de famintos, que seu "altruísmo" ficará diluído frente a tantas coisas. É como esses idiotas que saem pra libertar beagles e chinchilas ao invés de atuar junto à classe política. Eles simplesmente vão lá, tiram fotos com os bichos, atiram pro canto e vão embora, cheios de si, afinal apareceram em TV, jornais etc. No dia seguinte, chutam o primeiro cachorro de rua que ousar chegar perto deles. Ou seja, "hipocrisia".

 E ela mostra que mesmo nossas melhores intensões não são tão por puro altruísmo assim. Logo, esta palhaçada de "crianças em  África" é apenas pro cassule brincar de socialmente consciente, mas dar Cem Kwanzas que é bom, nada!